Arte Pará 2026 revelará ao público, em Belém, a intimidade do ser autoral

Diego Azevedo, Ana Mendes e Bruno Cantuário: presença no Arte Pará 2026 em Belém ( Foto: Foto: monatagem com foto de Nay Jinknss e fotos de divulgação )
Artistas, como Bruno Cantuária, Ana Mendes e Diego Azevedo, participam dessa mostra promovida pelo Grupo Liberal em Belém, a ser aberta em 5 de novembro próximo
A partir de um olhar curioso e atento para as nuances do dia a dia, artistas conseguem construir obras diversas em múltiplas linguagens, capazes de provocar sentimentos nos espectadores. Esses trabalhos revelam traços pessoais, a intimidade de seus criadores, a partir da interação dessas pessoas com a realidade em que transitam, como pode ser verificado na produção de artistas como Diego Azevedo, Ana Mendes e Bruno Cantuária. Artistas que vão expor seus trabalhos no Arte Pará 2026, a partir de 5 de novembro, no Museu do Estado do Pará (ME), no centro histórico de Belém. A mostra é uma iniciativa do Grupo Liberal e integra as comemorações dos 80 anos do Jornal O Liberal.
Em 1982, o casal Romulo (1922-1986) e Déa Maiorana (1934-2026) – à frente do Grupo Liberal, teve a ideia de concretizar em Belém um espaço para abrigar e projetar a produção artística do Pará, da Amazônia. Surgia, então, o Arte Pará, que em 2026 chega a sua 42ª edição.
Com a produção de 25 artistas selecionados, o Arte Pará é organizado pela Fundação Romulo Maiorana e tem a curadoria da artista visual Keyla Sobral. O projeto é viabilizado por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet). O patrocínio da mostra é da Phebo e da Vale. A artista Carmen Sousa é a grande homenageada do Arte Pará 2026. Ela marcou a trajetória das artes na capital paraense e terá um espaço específico com suas obras no Arte Pará 2026, para contemplação por parte do público;
Íntimos e coletivos
Há três anos, Diego Azevedo, 37 anos, nascido em Belém do Pará, atua como artista visual. “Minha produção artística surge a partir da pesquisa sobre o cotidiano e os microssistemas sociais, tendo como ponto de partida questões relacionadas à infância, à família, ao matriarcado e às vivências nas periferias”, conta.
Diego detalha seu processo de construção artística, pontuando que “meus trabalhos investigam as relações de pertencimento, memória e identidade, buscando revelar, por meio da pintura, aspectos íntimos e coletivos presentes nas experiências do dia a dia”. Ele entende a arte como “uma forma de perceber, registrar e questionar o mundo a partir de diferentes experiências”.
Para Diego Azevedo, a arte mostra-se como algo necessário, “porque amplia as possibilidades de olhar para a sociedade e para nós mesmos”. “Ela preserva memórias, dá visibilidade a experiências e cria espaços para reflexão e diálogo”, ressalta.
Olhar peregrino
Nascida em Porto Alegre (RS), a artista visual Ana Mendes, 41 anos, já morou em diversas cidades do Brasil, mas, reside em Belém nos últimos anos. Ana considera que é uma artista desde 2011, mas a sua trajetória se apresenta um pouco distinta. Ela começou a fotografar a partir de um viés diferente do que faz hoje em dia. Ana começou como documentarista e fotojornalista.
“Eu venho das Ciências Sociais como formação e, no atual momento, eu estou fazendo o doutorado na UFPA em Artes. Isso porque eu vim do jornalismo, mas em 2019 eu peguei as minhas fotografias do documental, que basicamente eu trabalho com fotografia de povos e comunidades tradicionais em todo o Brasil, enfim, no Maranhão, muito fortemente, e, em 2019, eu passei a fazer algumas intervenções em cima das minhas imagens, fazendo um processo um pouco diferente do que é o fotojornalismo e do que seria a fotografia documental mais tradicional”, conta.
“Então, desde 2019 existe um marco que eu venho criando uma assinatura diferente para as minhas fotografias documentais. Eu não mudei a temática com a qual eu trabalho, que são povos e comunidades tradicionais em luta por território, mas eu tenho melhorado as técnicas e ferramentas que dialogam com as artes. Estou trabalhando com colagem. Esse trabalho que está no Arte de Arte é um trabalho com colagem, colagem digital, com fotografias minhas, fotografias que eu olho de jornais antigos, jornais daqui do Pará”, detalha Ana Mendes. Para ela, “entrar no Arte Pará pela primeira vez me consolida nesse lugar de artista”.
Em seu processo artístico, Ana Mendes se coloca dentro do trabalho, ou seja, como testemunha ocular dos territórios em luta, e, então, surgem narrativas de protagonistas dessa busca por cidadania, como Quintino Lira, que dá tema a um trabalho dessa artista e será exposto no Arte Pará 2026. “No meu trabalho, eu quero contar um pouco sobre como histórias reais se registram no meu corpo, como pessoa, artista, uma mulher também que está entendendo questões políticas desse país e sendo atravessada por elas também”, complementa Ana.
Lugar no mundo
Em 2026, o artista visual belenense Bruno Cantuária terá a sua terceira participação no Arte Pará. E, é claro, desde já, Bruno celebra essa oportunidade para mostrar um pouco da sua produção em 20 anos de carreira artística.
“Estou muito contente em voltar a participar deste grande evento de arte. Tenho um carinho especial e grande apreço pela importância dele e como ele atinge nossa população, além do nosso Estado do Pará”, destaca Bruno.
Esse artista diz que, em seus trabalhos, tenta abraçar temas diversos, relacionados à identidade, “do nosso lugar no mundo”. “Mas o meu objetivo é sempre questionar os nossos pontos de vista, tanto individuais quanto na coletividade. Talvez seja por isso que sempre tive muitas parcerias no meu trabalho em arte”, ressalta.
“Expor o meu trabalho para o público é expor um pouco da minha pessoa, expor um pequeno recorte de um dos pontos de vista que fazem parte dessa minha existência como pessoa nesse mundo, como um amazônida, como um artista, como educador, como um dos Brunos que cada pessoa enxerga”, pontua Bruno Cantuária.
“Sempre trabalhei em um universo gigantesco da arte, mesclando fotografia, desenho, vídeo arte, visualidade como um todo, mas sempre propondo um questionamento sobre nosso papel no mundo ou como enxergamos as coisas”, completa o artista.
Fonte: O Liberal
Texto: Eduardo Rocha
Post a Comment