Crônica da Atualidade - Por Leila Cordeiro
A força que nasce do fundo da alma
Há dias em que o mundo pesa mais que nossos ombros.
Dias em que acordamos com o corpo cansado, o coração abatido e a mente carregada de dúvidas.
O espelho nos devolve um rosto que parece ter perdido o brilho, e dentro do peito mora um silêncio que quase nos convence a parar.
Mas, de algum canto escondido, onde só a alma sabe o caminho, nasce algo que nos levanta.
Não é raiva, nem orgulho — é força.
Aquela força que não aprendemos nos livros, que não se ensina em escolas.
A força que só quem já chorou escondida, mas levantou a cabeça e sorriu para o mundo, conhece.
Nós, mulheres, sabemos bem.
Sabemos o que é engolir o choro para não assustar quem amamos.
Sabemos o que é sair para enfrentar a vida com os joelhos trêmulos e o coração ferido.
Sabemos o que é lutar sozinhas batalhas que ninguém imagina que travamos.
Já enfrentamos despedidas que pareciam o fim.Já nos decepcionamos com confissões inesperadas.
Já seguramos mãos que, de repente, soltaram as nossas.
Já caminhamos sem direção, confiando que, em algum momento, nossos pés encontrariam o chão firme outra vez.E encontramos. Sempre encontramos.
Porque essa força não vem dos músculos nem da lógica — vem da alma.
É feita de fé, de resiliência e de um amor profundo por quem somos e por quem ainda podemos ser.
Ela nasce nas madrugadas silenciosas, nos instantes em que pensamos que não vamos conseguir, mas conseguimos.
Ela nos empurra para fora da cama, nos coloca de pé e nos lembra que ainda temos muito para viver.
Ser mulher é exatamente isso:
é costurar a própria dor e, mesmo assim, ter tecido para acolher a dor dos outros.
É carregar cicatrizes como quem carrega medalhas — lembranças vivas de batalhas vencidas.
É sorrir para a vida, mesmo quando ela se mostra dura, porque sabemos que, no fundo, a nossa existência é feita de recomeços.
E assim seguimos.
Fortes quando precisamos ser, delicadas quando queremos ser, imensas sempre.
Porque a nossa força é, e sempre será, a credencial para sermos cada vez mais seguras de que existimos para viver plenamente sem dependermos do que já não existe mais em nossas vidas.
( 🦋 © Leila Cordeiro – Todos os direitos reservados)
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