Autor paraense transforma leitores em apoiadores para levar romance à Bienal do Livro


A campanha permanece aberta até o dia 31 de agosto e oferece recompensas aos apoiadores, como exemplares autografados do livro e contos inéditos ambientados no mesmo universo da obra. O link pode ser encontrado no perfil dele no Instagram, no @eupehdro.
Natural de Belém e atualmente morando em São Luís, onde se mudou para estudar, Pedro afirma que a oportunidade representa mais do que uma participação em uma Bienal. Para ele, é a possibilidade de apresentar ao público uma história construída a partir das experiências, dos cenários e das relações vividas na Amazônia.
"Participar de um evento tão importante como esse gera custos. O mais caro dentro de tudo isso são as passagens, onde se encontra meu foco para eu poder sonhar em estar no evento. A hospedagem eu consigo ficar na casa de amigos, mas transporte e alimentação preciso arcar do meu bolso", explica.
Em seu livro, o leitor acompanha Luan Ferreira, um jovem paraense que deixa a Cidade das Mangueiras pela primeira vez após ser finalista de um dos principais concursos literários do país. Durante a viagem, um encontro inesperado dentro do avião aproxima o protagonista do carioca Felipe. A partir dali, conversas, descobertas e afetos conduzem uma narrativa marcada por diferentes formas de amar.
Segundo Pedro, o romance nasceu da vontade de levar para a literatura personagens e histórias ainda pouco representados no mercado editorial brasileiro.
"São narrativas que fogem do convencional. Não é todo dia que vemos personagens narrando a vivência periférica amazônica em livros. Essas histórias, muitas delas cresci ouvindo, vivenciando, na periferia de Belém e merecem ser lidas e apresentadas aos leitores do Brasil. É quase uma descoberta literária que muitos leitores desconhecem, mas que faz parte da nossa identidade", afirma.
Pedro também reforça que a participação no evento pode ampliar a presença da literatura produzida na região Norte em um dos principais espaços do mercado editorial brasileiro. Para ele, a expectativa é que a experiência incentive outros autores independentes a seguirem escrevendo e publicando suas próprias histórias.
"Aém disso, mostra para pessoas como eu, autores independentes, nortistas ou de outras regiões, que elas podem, sim, ocupar espaços como bienais e grandes eventos literários", acrescenta o autor.
Carreira
Este é o segundo romance publicado por Pedro Corrêa. Antes de "QNA", ele lançou "Codinome Beija-Flor", obra viabilizada também por meio de financiamento coletivo.
Formado em Biblioteconomia, o escritor conta que descobriu a paixão pela leitura ainda na infância, entre histórias bíblicas e revistas em quadrinhos, mas foi durante a graduação e o contato com a literatura LGBT+ que decidiu transformar as próprias vivências em ficção.
"Enquanto não estamos em grandes casas editoriais, é o autor que faz o seu livro chegar aos leitores. E, para isso, são necessários tempo, dedicação e persistência. Não é fácil, mas também não é impossível", declara.
Fonte: O Liberal
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