Zacarias: O "trapalhão" que encantava o público com as suas travessura

 



Zacarias não era só mais um dos Trapalhões ele era o encantamento. Dava vida ao grupo. Dava alma, dava ritmo. E, sobretudo, dava aquele tipo de riso que não nasce da piada, mas da presença. Mussum era o carnaval, Didi o centro de tudo, e Dedé o escada. Mas Zacarias… ah, Zacarias era o sopro infantil, o susto doce, a explosão de inocência no meio do caos.

Mineiro de Sete Lagoas, nascido em 18 de janeiro de 1934, Mauro era o mais velho de onze irmãos. Um menino quieto, disciplinado, introspectivo. Gostava de orquídeas, de rádio e de silêncio. Começou a carreira ainda jovem, como locutor e ator de rádio-teatro, mergulhado no universo das vozes e sons — mas bastava uma câmera ligada ou um palco iluminado para que outra entidade surgisse: Zacarias. Esbugalhado, esganiçado, com voz de gás hélio e alma de desenho animado. Um fenômeno de metamorfose.

Foi em 1974 que Renato Aragão o chamou para integrar Os Trapalhões e o Brasil nunca mais foi o mesmo. Zacarias invadia os domingos, e Mauro desaparecia. O mais fascinante? O próprio programa sabia da farsa. E jogava com ela. Em alguns esquetes, Zacarias “saía do personagem” de propósito: a voz afinava, o olhar se tornava sério, a alma aparecia. Por um segundo, era Mauro ali nu, sem filtro, sem máscara. E o público ria. Mas sentia. Porque ali estava a verdade por trás do exagero.

Reservado até os ossos, Mauro era o oposto da persona que o consagrou. Católico no começo, espírita depois. Não frequentava festas nem se misturava nas bebedeiras do elenco. Teve uma filha com a atriz Selma Lopes, com quem foi casado entre 1958 e 1973.

Nos últimos anos, abraçou uma dieta macrobiótica rígida. Emagreceu demais. O corpo, já delicado, não suportou. Morreu no dia 18 de março de 1990, aos 56 anos, por insuficiência respiratória. Os boatos, cruéis como sempre, tentaram manchar sua imagem mas a família foi categórica: Mauro morreu como viveu com discrição, sem escândalo, sem alarde.

Foi o último a entrar no grupo. E o primeiro a partir. A partir desse plano mas não do coração de todos.

Nenhum comentário