Crônica da Atualidade - Por Leila Cordeiro




Há frases que não revelam apenas uma opinião. Revelam uma mentalidade. E quando alguém afirma que mulheres solteiras “não sabem votar” e que as casadas apenas acompanham o voto do marido, não está apenas desrespeitando milhões de brasileiras. Está tentando empurrar a sociedade de volta para um tempo em que a voz feminina era silenciada e sua inteligência, desprezada.

Nós, mulheres, não somos extensão da consciência de ninguém. Não pensamos com a cabeça do pai, do marido ou de qualquer outro homem. Pensamos com a nossa história, nossa experiência, nossos valores e nossa liberdade.

Cada conquista feminina foi trabalhada com coragem. O direito de estudar, trabalhar, votar, ocupar espaços de poder e decidir o próprio destino nunca foi um presente. Foi fruto da luta de mulheres que se recusaram a aceitar que seu lugar fosse definido por outros.

É por isso que discursos carregados de misoginia não podem ser tratados como simples provocação. Eles alimentam preconceitos antigos, legitimam o desrespeito e tentam diminuir aquilo que nenhuma sociedade democrática deveria questionar: a igualdade entre homens e mulheres.

Não importa se somos solteiras, casadas, divorciadas ou viúvas. Nossa capacidade de pensar, escolher e decidir não depende do estado civil. Depende da nossa consciência.

O retrocesso começa quando o silêncio vence. E termina quando mulheres deixam de acreditar na própria força. Mas isso não vai acontecer. Porque cada vez que tentam nos diminuir, respondemos com inteligência, dignidade e coragem.

Respeitem as mulheres. Nossa voz não é emprestada. Nosso voto não tem dono. Nossa liberdade não está em discussão.

(© Leila Cordeiro – Todos os direitos reservados)

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