A Barba Azul: a novela leve e divertida que conquistou o público da Tupi
Em uma televisão brasileira marcada por grandes folhetins dramáticos, A Barba Azul surgiu como uma deliciosa exceção. Escrita por Ivanir Ribeiro e dirigida por Henrique Martins, a novela da TV Tupi apostou na comédia romântica, no humor e na aventura para conquistar um público formado principalmente por crianças, adolescentes e famílias.
Protagonizada por Eva Wilma e Carlos Zara, A Barba Azul r
euniu um elenco numeroso e de grande prestígio, com nomes como Kate Hansen, Newton Prado, Lídia Aguiar, Jussara Freire, Ana Lú Grassi, Ivan Mesquita, Holanda Cardoso, Wanda Stefânia, Carminha Brandão, Luiz Carlos de Moraes, Elizabeth Hartmann, Nádia Lippi, João Signorelli e tantos outros. Também participaram Edneide Giovanzazi e Edgar Franco.
Um dos grandes encantos da produção estava justamente em seu elenco infantil. Douglas Mazola, Ana Luiza Lancaster, Dimitri Orrico, Suzy Camacho, Haroldo Bota, Janice Barreto e João Luiz, entre outros, davam à novela um clima espontâneo, alegre e juvenil, reforçando a característica de uma história feita para ser acompanhada por toda a família.
As gravações externas tiveram como cenário principal o Guarujá, no litoral paulista. O Forte dos Andradas, também no Guarujá, serviu de locação para as cenas da ilha, conferindo à novela um aspecto de aventura e exotismo que ajudava a diferenciá-la dos tradicionais cenários urbanos dos folhetins da época.
Carlos Zara teve uma participação ainda mais ampla na produção. Além de protagonista, colaborou na direção e ocupava naquele período o cargo de Supervisor Geral da Produção, em razão de sua função como diretor do Departamento de Novelas da TV Tupi. Sua experiência contribuiu para a condução de uma produção que exigia numerosas cenas externas, elenco infantil e uma narrativa de ritmo ágil.
Outro capítulo à parte foi a trilha sonora. A música de abertura, composta especialmente por César Camargo Mariano, tornou-se uma das marcas da novela. A produção contou ainda com uma seleção de canções que ajudava a criar o clima descontraído, romântico e aventureiro de A Barba Azul.
O resultado foi uma novela que, embora leve e divertida, alcançou expressiva repercussão. A Tupi conseguiu enfrentar de igual para igual a concorrente TV Globo, então exibindo Corrida do Ouro. Segundo os jornais da época, o último capítulo de A Barba Azul teria ultrapassado os 60 pontos no Ibope, chegando a aproximadamente o dobro da audiência registrada pela novela concorrente.
Mais do que números, porém, A Barba Azul deixou uma lembrança afetiva em quem a acompanhou. Era uma novela colorida em sua imaginação, com romance, humor, crianças, aventuras, paisagens do litoral e uma trilha sonora marcante. Uma história sem o peso dos grandes dramas, feita para divertir e reunir a família diante da televisão.
Hoje, revisitar A Barba Azul é reencontrar um período especial da televisão brasileira, quando a TV Tupi ainda era capaz de produzir novelas de grande audiência e, ao mesmo tempo, experimentar formatos diferentes. A produção de Ivanir Ribeiro, sob a direção de Henrique Martins, permanece na memória como uma novela gostosa de acompanhar — alegre, romântica, divertida e essencialmente brasileira.
Fonte: Memória da TV Tupi - Facebook





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