Crônica da Semana - Por Eleci Silva
Em uma “cidadezinha qualquer” houve, certa vez, um Poeta.
Homem singular, de alma generosa e coração transbordante de sentimentos. Chamava-se José Raimundo, embora muitos o conhecessem carinhosamente como Jotaerre, nome pelo qual gostava de ser chamado e que se tornou marca indelével de sua trajetória.
Com suas poesias e declamações cheias de vida, emoção e intensidade, encantou gerações. Sua voz ecoou nas escolas, nos saraus, nas praças e nos mais diversos espaços da vida cotidiana, levando palavras que despertavam sonhos, reflexões e afetos. Por onde passava, deixava versos; por onde deixava versos, semeava humanidade.
Dizem que os poetas não morrem. Transformam-se em estrelas de luz que continuam a iluminar os caminhos daqueles que ficam. Permanecem vivos nas palavras que escreveram, nos sentimentos que despertaram e nas memórias que ajudaram a construir. Seus versos atravessam o tempo, inspiram novas poesias e servem de acalento aos que seguem a jornada da vida, essa travessia da qual ninguém conhece o último verso, a derradeira rima ou a página final.
Hoje, uma “cidadezinha qualquer” despede-se de seu poeta maior: Zé Raimundo.
Mas sua partida não silencia sua voz. Ela permanecerá viva na memória de seus amigos, familiares, admiradores e de todos aqueles que tiveram o privilégio de ouvi-lo declamar a beleza das coisas simples, os amores, as dores e as esperanças que habitam a condição humana.
Que as praças se encham da doce nostalgia dos tempos em que a vida fluía serena e borbulhava nas fontes de Capanema; que os ventos levem seus versos pelas ruas da cidade e que as novas gerações encontrem, em sua obra, a inspiração para continuar sonhando e poetizando o mundo.
Vá em paz, nobre imortal da Academia Capanemense de Letras e Artes.
A poesia, que tão bem soubeste cultivar, hoje te acolhe em sua eternidade.
Porque os poetas nunca partem por inteiro: permanecem vivos em cada palavra que deixaram florescer no coração de seu povo!
*José Raimundo Batista Vieira, professor, Servidor Público, escritor e poeta, Acadêmico Fundador na Academia Capanemense de Letras e Artes - ACLA, ocupante da cadeira nº 9, presidente da entidade no biênio 2024/2026.
**A autora do texto Eleci Silva é: Psicóloga, Professora Universitária, Doutora em Comunicação Social/Jornalismo, escritora e poetisa, integrante da Academia Capanemense de Letras e Artes - ACLA, titular da Cadeira nº 12.
Fotos: Divulgação/ACLA

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